Importância de conhecer Primeiros Socorros


QUEDAS.PRIMEIROS.SOCORROS

A Importância do conhecimento de Primeiros Socorros

e Prevenção de Acidentes nas Escolas

 

 

Estatísticas Relevantes

Tanto adultos como crianças podem vivenciar situações de emergência por causa de acidentes, lesões, condições de saúde (como complicações crônicas), ou doenças de aparecimento inesperado que podem ocorrer no ambiente escolar. (1)

Além disso o aumento no número de crianças com necessidades especiais de saúde e condições médicas crônicas (por exemplo asma e diabetes), que frequentam as escolas, contribuíram para aumentar os riscos de emergências médicas no ambiente escolar. (1)

A maior parte das Escolas no Brasil, e em outros países, não possui profissional de saúde em seu quadro de colaboradores para que este atenda uma situação de emergência, por este motivo é importante que a Gestão Escolar, em parceria com os professores elabore estratégias  para garantir a segurança do aluno, além de revisá-las continuamente. (2, 12)

Os dados de acidentes que envolvem crianças especificamente dentro do ambiente escolar em nosso país são imprecisos, mas é sabido que 70% das mortes em crianças menores de 1 ano ocorreram por sufocação e 34% das crianças de 1 a 4 anos por afogamento. Dados da ONG Criança Segura apontam que no ano de 2014 foram registradas 122 mil hospitalizações por acidentes com meninos e meninas de zero a 14 anos e, destas hospitalizações 47% tiveram como causa quedas, 16% queimaduras e outros 21% estão relacionados ao contato com ferramentas, objetos cortantes, dentre outros. (3)

 

 


Você poderá gostar da Formação a distância sobre Primeiros Socorros com Foco no Ambiente Escolar, saiba mais


 

Apesar da maioria dos acidentes ocorrerem no ambiente domiciliar, a escola é considerada o segundo local de maior ocorrência, segundo Bem et al., (2008) ao analisar 387 pacientes em um estudo sobre epidemiologia dos pequenos traumas em crianças, concluiu que as vítimas mais comuns eram crianças na fase pré-escolar (39,0%), do sexo masculino (66,4 %), sendo a face o local do corpo mais lesado (42,6%) e a queda da própria altura o acidente mais predominante (27,4%). Quanto ao local do acontecimento, a maioria ocorreu na residência num total de 230 (59,4%), seguido pela escola com 20 (4,2%), o turno predominante foi o vespertino com 288 (74,4%).(4)

CORRENDO NA ESCOLA - PRIMEIROS SOCORROS - CRECHE SEGURA

 

Em uma revisão da literatura Paiva e Maranhão, (2009), selecionaram 10 artigos publicados nas bases de dados da Lilacs e Scielo, além de artigos jornalísticos sobre a morte de crianças em creches no período de 1990 a 2009. As autoras destacam que a mortalidade infantil em creches tem se tornado um assunto de relevância na sociedade, além de ter destaque na mídia, mas são escassos os estudos que abordam esse tema na literatura. As causas mais frequentes são: asfixia, falta de informações e necessidade de melhor preparo dos profissionais das creches e dos pais, esses fatores juntos favorecem a ocorrência de acidentes justificando programas de prevenção. (5)

Publicado pela American Heart Association na Revista Circulation, um estudo apontou que 18% dos professores atenderam mais de 20 alunos em situações de emergência e que 17% do total de professores pesquisados, indicaram que atenderam alunos em situações de risco de vida durante a carreira. (6)

Uma pesquisa da Escola de Enfermagem do Novo México,  identificou que 67% das escolas ativou o Serviço Médico de Emergência – SME para um estudante, e 37% das escolas ativou o SME para um adulto. (7)

 


Você sabe o que fazer em caso de trauma na cabeça? Acesse a matéria e conheça as recomendações


.

O risco de morte súbita fora do ambiente hospitalar

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a morte súbita não se restringe a uma faixa etária nem a um lugar específico. Embora seja mais comum em idosos, pode ocorrer em crianças, adolescentes e adultos jovens. Entre as principais causas de óbito e internações em nossa população estão as doenças do aparelho circulatório (DAC), os acidentes e as diversas formas de violência, além das neoplasias. (8)

Cerca de 326 mil paradas cardíacas ocorrem anualmente fora do ambiente hospitalar, é que descreve a American Heart Association, e 88% destas acontecem fora do ambiente hospitalar. Infelizmente menos de 8% dessas vitimas irão sobreviver, isso ocorre porque frequentemente as pessoas próximas não tomam uma atitude e não iniciam a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP). É possível melhorar essas estatísticas através do aprendizado de habilidades simples de RCP. (9)

Estudos apontam que o aumento da porcentagem de alunos, funcionários e professores treinados em ressuscitação cardiopulmonar aumenta a probabilidade de alguém iniciar prontamente o atendimento a uma vítima parada cardiorrespiratória fora do ambiente hospitalar. (1)

Nos Estados Unidos, até mesmo os mais rápidos serviços médicos de emergência normalmente não pode chegar as vítimas de parada cardíaca em 3 a 5 minutos, que é o período de tempo vital para iniciar o atendimento básico. Portanto, as medidas tomadas pelos espectadores durante os primeiros minutos de uma emergência cardíaca são fundamentais. A rapidez da ação pode duplicar ou triplicar chance de sobrevivência da vítima. (2)

 

SIMULACAO MANOBRA DE RESSUSCITACAO CARDIOPULMONAR NO BEBE2 CRECHE SEGURA

 

A Formação em Primeiros Socorros para profissionais da Educação no Brasil:

Embora a formação em primeiros socorros ou a presença de um profissional da saúde não sejam obrigatórias nas escolas do nosso país, podemos encontrar em diversos documentos a importância e a relevância do conhecimento sobre as técnicas de primeiros socorros e prevenção de acidentes, por este motivo os profissionais destas instituições que cuidam de nossas crianças deveriam estar aptos a prestar um mínimo de atendimento a fim de assegurar e preservar a vida e a saúde dos alunos.

Em maio de 2002, a 27ª Sessão Especial da Assembleia das Nações Unidas aprovou o documento “Um Mundo para as Crianças”, no qual os Chefes de Estado, de Governo e representantes dos países participantes se comprometem a trabalhar para construir um mundo mais justo para as crianças. O Brasil também assinou o documento. O compromisso começa aqui: um Brasil mais justo para suas crianças. (10)

 


Você poderá gostar da Formação a distância sobre Primeiros Socorros com Foco no Ambiente Escolar, saiba mais


 

Após essa Assembleia das Nações Unidas, iniciativas para garantir os direitos da criança foram elaboradas, uma delas pela Rede Nacional Primeira Infância que entregou ao Governo e à sociedade brasileira uma sugestão de Plano Nacional para a Primeira Infância, que propõe ações amplas e articuladas na promoção e realização dos direitos da criança de até seis anos de idade nos próximos doze anos. (10)

Entre as ações apresentadas ao Governo, algumas corroboram com o tema abordado neste texto, sobre a promoção da saúde e preservação da vida do aluno, por parte das escolas e dos profissionais que nela atuam, são elas:

 

  • EIXO CRIANÇAS COM SAÚDE: Realizar em creches e pré-escolas, ações de promoção de saúde articuladas com as da educação e dos setores do desenvolvimento social, da cultura e do desenvolvimento agrário;

 


Se preferir faça download desta matéria (e-Book) e compartilhe com sua equipe na Escola, acesse gratuitamente aqui


  • EIXO EDUCAÇÃO INFANTIL: Os professores têm direito a programas de educação permanente, por isso é importante estabelecer um Programa Nacional de Formação dos Profissionais de Educação Infantil;

 

  • EIXO EVITANDO ACIDENTES: Inserir o tema prevenção de acidentes e primeiros socorros nos cursos de formação e de educação continuada dos dirigentes, coordenadores, equipe técnica, educadores e auxiliares de abrigos e também para os profissionais de desenvolvimento do Programa de Famílias Acolhedoras.

 


Confira recomendações de higiene e segurança para tornar a escola um ambiente mais seguro. Acesse aqui


Organizações internacionais, como o Center for Disease Control and Prevention (CDC), classificam como uma escola segura àquela onde os colaboradores e até mesmo os alunos possuam preparo para responder a uma situação de emergência, além de outros requisitos como envolvimento dos familiares nos aspectos de segurança da escola, práticas esportivas seguras entre outras, confira o documento na íntegra aqui.  (11)

 

Center for Disease Control and Prevention (CDC) - Guidelines for School Health Programs

 

É importante ressaltar que o profissional que possui a formação em primeiros socorros e prevenção de acidentes, terá subsídios para realizar o atendimento de forma mais segura e eficaz, além de compartilhar esses saberes com os alunos e familiares, realizando assim um papel central e importante: o de multiplicador.

Outro ponto importante é a reciclagem deste tipo de formação ao menos a cada dois anos, já que as práticas se modificam naturalmente com a evolução da ciência e tecnologia, e também pelas mudanças que podem ocorrer no quadro de colaboradores, garantindo assim uma educação permanente e atualizada sobre essa temática, bem como o devido atendimento seguro à situações de emergência para preservar a vida e a saúde das crianças e adultos presentes no ambiente escolar.

 


Você poderá gostar da Formação a distância sobre Primeiros Socorros com Foco no Ambiente Escolar, saiba mais


 

SOBRE A AUTORA:

Publicado em: 04/05/2016

Revisado em: 02/05/2017

 

 


Receba nossas publicações e mantenha-se atualizado sobre saúde e segurança na escola  quero me atualizar


 

REFERÊNCIAS:

  • AMERICAN ACADEMY of PEDIATRICS. Medical Emergencies Occurring at School, Council on School Health. Rev Pediatrics, October 2008, vol 122:4.
  • SUDDEN CARDIAC ARREST FOUNDATION. Cardiac Emergency Response Plan for Schools. Schools Campaign, 2015.
  • ONG CRIANÇA SEGURA. análise das principais causas acidentais de mortalidade infantil na Semana Nacional de Prevenção de Acidentes. Notícias Criança Segura, 2015.
  • BEM, M. A. M. et al. Epidemiologia dos pequenos traumas em crianças atendidas no Hospital Infantil Joana de Gusmão. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 37, n. 2, p. 59–66, 2008.
  • PAIVA, T. D.; MARANHÃO, D. G. Mortalidade de crianças usuárias de creches : riscos e papel do enfermeiro na prevenção. Rev. Enferm Unisa, 2009; 10(2): 188-92.
  • HAZINSKI, M. F., et al. Response to Cardiac Arrest and Selected Life-Threatening Medical Emergencies. The Medical Emergency Response Plan for Schools, Rev. Circulation. 2004; 109:278–291.
  • SAPIEN, R. E.; ALLEN, R. Emergency preparation in schools: a snapshot of a rural state. Pediatr Emerg Care. 2001 Oct;17(5):329-33.
  • BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual Instrutivo da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no Sistema Único de Saúde (SUS), Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2014.
  • AMERICAN HEART ASSOCIATION. CPR Facts and Stats, CPR e Fist Aid Emergency , 2014.
  • RNPI. Plano Nacional pela Primeira Infância. Rede Nacional Primeira Infância, Brasília, p. 140, 2010.
  • Center for Disease Control and Prevention (CDC). Guidelines for School Health Programs to Prevent Unintentional Injuries and Violence: Summary, CDC, 2001; 50(RR-22):1-73.
  • AMERCICAN HEART ASSOCIATION. Cardiac Emergency Response Plan: CPR in Schools, Programs, 2015.