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Qual termômetro utilizar na escola?

Vamos iniciar esta matéria falando sobre os aspectos gerais da febre e posteriormente as formas de verificar a temperatura e os tipos de termômetros disponíveis.

O que é febre?

É muito comum tanto para pessoas leigas quanto para os profissionais, que ao mencionarem a palavra febre, imediatamente já relacionam com doença, levando a um quadro de ansiedade e insegurança, principalmente quando a causa da febre não é definida logo no início da doença.

O corpo humano apresenta uma temperatura normal entre 36 e 37,5ºC, sofrendo alterações ao longo do dia, estando mais próxima de 36ºC durante a madrugada e mais para 37,5ºC no final da tarde. Esta variação é chamada de ciclo circadiano da temperatura corporal.

Uma temperatura de 37,5ºC no início da manhã tem muito mais relevância do que esta mesma temperatura no final do dia. Entretanto não existe um valor que seja considerado normal, mas existe uma faixa de normalidade que depende do local que a temperatura será verificada:

 

  • Temperatura axilar – normal até 37,4ºC.
  • Temperatura oral (boca)  – normal até 37,5ºC.
  • Temperatura timpânica (ouvido) – normal até 37,5ºC.
  • Temperatura retal (ânus) – normal até 38ºC.

 

Em uma publicação da Revista de Pediatria (SOBERJ), em 2012, Dr. Luciano descreve a falta de consenso sobre os valores normais de temperatura axilar, medida mais comum utilizada em nosso país, definindo que o valor mais para se considerar febre é uma temperatura a partir de 37,5ºC.

Também deixa claro que a temperatura axilar possui baixa sensibilidade para realização de diagnóstico da febre, como apontam vários estudos e falaremos mais adiante nesta matéria.

Geralmente quando detectamos a febre, nos atentamos somente com o aumento da temperatura corporal, porém ela habitualmente vem acompanhada de outros sinais e sintomas.

Os sintomas mais comuns da febre são:

  • O aumento da frequência cardíaca e respiratória.
  • O coração aumenta sua frequência, em média, em 5 batimentos por minuto a cada 1ºC de elevação na temperatura corporal.
  • Calafrios,
  • Mal-estar,
  • Perda do apetite,
  • Prostração,
  • Dor de cabeça e dores pelo corpo.
  • Sudorese (suor), geralmente no momento em que a febre começa a ceder.

 

De acordo com a pediatra Leda Amar de Aquino, a febre é um mecanismo fisiológico que tem o intuito de combater uma infecção porque alguns agentes infecciosos, como vírus e bactérias, não sobrevivem a partir de uma temperatura de 37ºC.

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda para familiares uma atenção especial para crianças maiores de 3 meses  que NÃO devem ser medicadas de imediato quando apresentam temperatura menor que 38ºC e estão bem de maneira geral (brincando, comendo e dormindo normalmente), o ideal é apenas aliviar o mal-estar, como por exemplo, com banho morno ou aplicação de compressas de água morna na cabeça, virilha e axila, evitando desta forma o incentivo a cultura de medicalização.

Convém estimular a criança a tomar líquidos (água, chá, suco) para evitar a hipernatremia (aumento de sódio/sal no organismo), a qual contribui para aumentar a febre.

O álcool está contraindicado, pois pode ser absorvido pela pele e causar toxicidade sistêmica (em todo o corpo) e, por isso, nunca deve ser utilizado.

Nos primeiros anos de vida, as crianças apresentam infecções virais com certa frequência. Nove em cada dez casos de febre em crianças abaixo de cinco anos estão relacionados com infecção viral. Podemos encontrar crianças com 39ºC e 40 ºC de febre causada por um simples resfriado e como não é raro termos crianças com 37,5 ºC que estão com meningite.

Portanto, a intensidade da febre não indica necessariamente a gravidade do problema. Febre indica apenas que o organismo está reagindo a alguma coisa, o que pode ser um bom sinal.

De acordo com um levantamento da Academia Americana de Pediatria feito no ano passado, 25% dos cuidadores administram antitérmicos mesmo que a temperatura da criança seja inferior a 37,8°C. Um dos motivos para isso é o medo de a febre causar convulsão.

De fato, esse fenômeno pode, sim, acontecer entre crianças de até 4 anos, mas independe da temperatura delas (algumas vezes, acontece quando a febre está tão baixa que os pais ainda nem a perceberam).

A boa notícia é que, além de ser rara, é preciso ter predisposição genética para haver uma convulsão febril.


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Só o pediatra pode indicar a melhor opção de medicação para o seu filho, bem como a quantidade exata que você deve oferecer a ele. Nunca administre sem uma prescrição médica.

 

Quando uma criança com febre deve ser PRONTAMENTE avaliada por um médico?

  • Crianças até 3 meses devem ser levadas ao médico imediatamente nos casos de febre. A partir dos três meses, é válida a observação em ambulatório com acesso (telefônico, retorno) facilmente disponível e programado.
  • Se a criança apresentar febre maior de 39,4 ºC e /ou mal estado geral, aspecto abatido, inapetência, irritabilidade alternada com sonolência, letargia, apatia, expressão facial de sofrimento, choro inconsolável ou choramingos, gemência (sinal de alarme) e a disposição da criança, principalmente se acompanhada de tremores de frio, pode suspeitar-se de alguma infecção bacteriana.
  • Se a febre persistir mais de 72 horas.

 

Locais onde a temperatura pode ser verificada na criança

 

Verificação da temperatura retal na criança:

Considerada como a medida mais precisa e fortemente recomendada para crianças pequenas (menores de 3 anos). A temperatura retal é mais alta do que a axilar e é considerado febre quando a temperatura for maior de 38°C.

O termômetro para verificação de temperatura retal deverá ser devidamente identificado, para que seja utilizado apenas para essa finalidade e local.

Existem disponíveis no mercado termômetros específicos para verificação retal ou ainda para bebês que possuem um formato mais arredondado e seguro para este tipo de verificação, é importante consultar no mercado as opções disponíveis.

Os novos modelos disponíveis no mercado não necessitam de lubrificação prévia, e por não haver um consenso sobre o tipo de lubrificante e os riscos de utilizar produtos não recomendados, essa prática não deve ser realizada.

Passo-a-passo para verificação da temperatura retal na criança:

  • Com a criança de barriga para baixo:
  • Limpar a extremidade do termômetro com álcool 70%, 95% ou água e sabão (confirmar as recomendações do fabricante, pois a limpeza poderá sofrer variação de acordo com o tipo de material do termômetro).
  • Colocar a criança de barriga para baixo, em seu colo ou sobre uma superfície firme.
  • Segurar a criança colocando a palma da mão na parte inferior das costas e sobre as nádegas de forma firme a fim de evitar que a criança se movimente
  • Posicione o termômetro na região do ânus, sempre apoiando o instrumento entre seus dedos (para crianças menores de 2 anos introduzir cerca de 1,5cm e para crianças maiores 2,5cm)
  • Após o bip sonoro retirar o termômetro e observar a temperatura, proceder a limpeza da extremidade e guardar o termômetro em local seguro.

 

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Representação do posicionamento da criança com a barriga para baixo no colo

Fonte: wikiHow

 

  • Com a criança de barriga para cima:
  • Limpar a extremidade do termômetro com álcool 70%, 95% ou água e sabão (confirmar as recomendações do fabricante, pois a limpeza poderá sofrer variação de acordo com o tipo de material do termômetro).
  • Colocar a criança de barriga para cima sobre uma extremidade firme
  • Flexionar suas pernas sobre a barriga com uma das mãos
  • Com a outra mão posicionar o termômetro na região do ânus (para crianças menores de 2 anos introduzir cerca de 1,5cm e para crianças maiores 2,5cm).
  • Após o bip sonoro retirar o termômetro e observar a temperatura, proceder a limpeza da extremidade e guardar o termômetro em local seguro.

 

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Representação do posicionamento da criança com a barriga para cima

Fonte: wikiHow

 

Evidência sobre a verificação da temperatura retal na criança:

É considerado como padrão-ouro, ou seja, é a forma mais precisa de diagnóstico de febre em lactentes e crianças, no entanto é um procedimento invasivo e existem contraindicações:

Está contraindicada quando:

  • Em lactentes menores de 1 mês
  • Crianças com cirurgia retal recentes
  • Com diarreia ou lesões anorretais
  • Crianças em tratamento quimioterápico.

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Verificação da temperatura oral na criança:

Considerada uma boa maneira para aferir a temperatura, porém a criança não pode ter ingerido líquidos quentes ou frios nos 15 minutos que precedem a aferição e necessita que a criança permita que o termômetro permaneça embaixo da língua.

  • Nunca utilizar o termômetro de mercúrio devido ao risco de a criança morder e se contaminar.
  • Atualmente existe o termômetro chupeta, porém há algumas discordâncias com relação a sua utilização.
  • Na boca, a temperatura é mais alta do que na axila e mais baixa do que no reto, considerando febre quando for superior a 37,8°C.
  • Recomendado para crianças maiores (a partir dos 4 anos de idade).

 

Passo-a-passo para verificação da temperatura oral na criança:

  • Explicar para criança como será o procedimento e só realizá-lo se esta estiver colaborativa, caso contrário poderá morder ou machucar-se, logo outra forma de verificação deverá ser adotada.
  • Limpar a extremidade do termômetro com álcool 70%, 95% ou água e sabão (confirmar as recomendações do fabricante, pois a limpeza poderá sofrer variação de acordo com o tipo de material do termômetro).
  • Posicionar o termômetro sob a língua na bolsa sublingual (abaixo da língua do lado direito ou esquerdo).
  • Orientar a criança a permanecer com a boca fechada enquanto aguarda a verificação da temperatura.
  • Após o bip sonoro retirar o termômetro e observar a temperatura, proceder a limpeza da extremidade e guardar o termômetro em local seguro.

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Representação do posicionamento do termômetro na região oral da criança

Fonte: wikiHow

Evidência sobre a verificação de temperatura oral na criança:

Indica mudanças rápidas na temperatura corporal central, mas a acurácia pode ser um problema quando comparada com a via retal. Pode sofrer alteração conforme a temperatura do ambiente e ingestão recente (quente ou frio).

Está contraindicada quando:

  • Em crianças com nível alterado de consciência
  • Em uso de oxigênio
  • Que apresentam mucosite (inflamação da mucosa oral)
  • Cirurgia oral recente
  • Trauma na boca
  • Crianças menores de 4 anos

 

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Verificação da temperatura timpânica (ouvido) na criança:

Considera-se febre quando a aferição for maior que 37,5°C, os termômetros normalmente utilizados para essa região são os infravermelhos, é de fácil utilização, mas algumas crianças poderão não aceitar bem.

  • O resultado poderá sofrer interferência se a criança apresentar cerúmen no canal auditivo ou ainda estiver com otite (inflamação no ouvido).
  • A medição poderá apresentar diferenças entre um ouvido e outro.
  • Não existe um consenso sobre a técnica mais adequada de verificação, alguns autores descrevem que a orelha deverá ser puxada para trás e para cima, outros apenas para trás, e então posicionar a sonda do termômetro (específico para medicação neste local).

 

Evidência sobre a verificação de temperatura no ouvido da criança:

Nos estudos analisados a temperatura timpânica demonstrou uma ampla variação, mesmo em publicações mais recentes foram encontradas uma sensibilidade ruim.

A conclusão dos autores é que o diagnóstico de febre não deve ser feito com base na termometria timpânica, uma vez que não é uma medida acurada da temperatura central.

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Temperatura na artéria temporal (testa TAT):

Método novo de aferição de temperatura que utiliza a tecnologia de infravermelhos para detectar o calor natural da superfície da pele contando com um sistema de ajuste de calor arterial.

  • Recomendado para crianças de 3 meses até 4 anos.
  • A técnica de verificação poderá sofrer variação de acordo com o modelo do equipamento, por isso recomendamos a leitura prévia do manual do fabricante.

De um modo geral é recomendado a verificação da temperatura na testa da criança:

  • Certificar-se de que a área a ser avaliada (testa) está seca e limpa e sem obstáculos (tiaras e cabelo por exemplo).
  • Posicionar o sensor infravermelho cerca de 4 a 6 cm distante da testa (parte frontal da cabeça).
  • Acionar o botão de medição e aguardar o bip sonoro que sinalizará o término da verificação.

 

Evidência sobre a verificação de temperatura na artéria temporal (testa) da criança:

  • A TAT não prevê febre em crianças pequenas, mas pode ser usada como triagem para detectar a febre abaixo de 38ºC em crianças a partir de 3 meses até 4 anos.
  • Estudos recentes apresentam confiabilidade para crianças menores de 3 meses segundo a American Academy Of Pediatrics.

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Verificação da temperatura na axila da criança:

É o método que mais utilizamos no Brasil, mesmo que não seja a mais exata ou precisa, porém satisfaz os propósitos clínicos.

A axila deve estar seca e se for bebê, este não deve estar enrolado em cobertores no momento da verificação. Considera-se febre quando a temperatura axilar estiver acima de 37,5°C.

 

Passo-a-passo para verificação da temperatura axilar na criança:

  • Limpar a extremidade do termômetro com álcool 70%, 95% ou água e sabão (confirmar as recomendações do fabricante, pois a limpeza poderá sofrer variação de acordo com o tipo de material do termômetro).
  • Secar a axila antes de realizar a aferição.
  • Colocar o bulbo do termômetro na dobra das axilas.
  • Certificar que o termômetro esteja bem posicionado ao abaixar o braço da criança.
  • A maioria dos termômetros apresentam alarme sonoro, para sinalizar que a aferição já foi concluída.
  • Levantar o braço da criança e retire o termômetro pela haste com cuidado.
  • Observar a temperatura em seu visor.
  • Em caso de dúvidas quanto ao resultado, repita o procedimento no outro braço.

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Representação do posicionamento do termômetro na axila da criança

Fonte: wikiHow

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Evidência sobre a verificação de temperatura na axila da criança:

Segundo os estudos analisados é inconsistente e insensível em lactentes e crianças com mais de 1 mês de idade, em recém-nascidos não deve ser utilizada.

 


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Conclusão das evidências com fortes recomendações:

As evidências foram analisadas através de uma publicação no livro de Wong, 2014 (pg. 112), onde são apresentadas as Práticas Baseadas em Evidências para medida de temperatura em crianças, através de estudos dos últimos 10 anos para publicações em populações de lactentes e crianças.

Os estudos de medidas axilar e timpânica demonstraram pouca concordância quando estes modos são comparados com outros métodos mais acurados de temperatura central. As diferenças são mais evidentes conforme a temperatura aumenta independentemente da idade.

A TAT não prevê a febre e somente deve ser utilizada como ferramenta de triagem para crianças pequenas.

Quando for necessário um método mais acurado de obtenção do valor correto de temperatura central, a temperatura retal é recomendada para crianças pequenas e a via oral para crianças maiores.

Tipo de verificação de temperatura (termômetro digital) de acordo com a idade:

IDADE TIPO DE VERIFICAÇÃO RECOMENDADA
Menores de 3 meses Retal
3 meses a 3 anos Retal, axilar ou auricular
4 anos a 5 anos Oral, auricular e axilar
Acima de 5 anos Oral, auricular e axilar

 

Quais são os tipos de termômetro para verificar temperatura de crianças?

Ao realizarmos a pesquisa, observamos que não há um consenso sobre o assunto, pois para definirmos qual o melhor termômetro, precisamos considerar a idade da criança, o local que será aferida a temperatura (axila, boca, testa, ouvido, reto), e qual aparelho os pais se sentem mais confortáveis e confiantes.

O instrumento padrão para a medida da temperatura corpórea é o termômetro clínico de vidro com mercúrio.

A literatura internacional, principalmente a americana, adota a temperatura retal, considerada mais precisa para aferir a temperatura interna do organismo.

 A temperatura bucal (também preferida pelos americanos, mas que não é fácil em crianças e acarreta algum risco) é medida colocando-se o termômetro sob a língua, com a boca fechada e aguardando-se três a cinco minutos para a leitura. Abaixo falaremos um pouco sobre cada tipo de termômetro:

 

Termômetro de mercúrio:

  • É o mais tradicional que é composto por um bulbo e filete prateado.
  • Para fazer a leitura é necessário que antes ele seja sacudido para que o mercúrio seja recolocado em uma posição abaixo da marca de 36°C e exigem em torno de 4 a 5 minutos para que possam ser lidos.
  • Estes termômetros estão em desuso e não são recomendados para crianças devido a risco de toxicidade nos casos de quebra. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a proposta de proibir o uso desses equipamentos faz parte do compromisso internacional do Brasil, assumido durante a Convenção de Minamata, de banir produtos com mercúrio até 2020.
  • A substância é tóxica para seres humanos e prejudicial para o meio ambiente. Se for aprovada, o veto começa a valer a partir de janeiro de 2019.

Os termômetros de mercúrio não devem ser usados. A Academia Americana de Pediatria (AAP) encoraja os pais para que removam os termômetros de mercúrio de suas casas para evitar a exposição acidental e envenenamento.

 

Termômetro Digital:

  • Utilizado desde os anos 80, são facilmente encontrados no mercado. Apresentam a temperatura em número digitais, de fácil leitura e são mais rápidos que os termômetros de mercúrio, levando em geral 60 segundos para soar o alarme.
  • A temperatura é sentida com um componente eletrônico denominado termistor localizado na ponta de uma sonda de plástico e aço, que é conectada a um gravador eletrônico.
  • Não são tóxicos e não agridem o meio ambiente. Ele pode ser utilizado na via oral, axilar e retal.

Você poderá gostar do vídeo sobre febre e convulsão febril na escola, uma abordagem da família assista o vídeo


 

Chupeta termômetro:

  • É uma variação do termômetro digital e pode ser a solução para os pais que têm dificuldade em verificar a temperatura na criança.
  • Entretanto, a sua precisão é questionável, pois a temperatura na via oral é verificada com um termômetro embaixo da língua e a chupeta posiciona-se em cima desta, na maioria deles não há um alarme que acuse a medição precisa e muitas vezes a criança empurra a chupeta para fora da boca o que pode interferir na medição.

 

Termômetro de ouvido (timpânico):

  • Este tipo de termômetro mede a temperatura no interior do canal auditivo. São muito práticos e rápidos podendo ser usados tanto para bebês e crianças quanto para toda a família.
  • Utilizam infravermelho para medir a temperatura e o mais impressionante é que medem a temperatura em 1 ou 2 segundos em média.
  • Para uma aferição correta só é preciso alguns cuidados: em primeiro lugar para medir no ouvido é preciso apontar diretamente no canal e para isso em uma criança é preciso puxar levemente a orelha para cima e para trás e nos adultos somente para trás.
    No caso de haver cera no ouvido a medição pode ser comprometida. Indicado para crianças a partir de 6 meses. Se for usado em crianças mais velhas, verificar a presença de cera que pode interferir na aferição da temperatura.

 

Termômetro da artéria temporal (lateral da testa):

  • Ainda questionada a sua precisão este aparelho verifica a temperatura da artéria temporal através de um scanner infravermelho, onde faz a varredura do canal para a leitura da temperatura mais alta e então calcula a temperatura arterial.

 


CURIOSIDADE

 Em 1949 foi realizado um estudo que demonstrou que a maioria das mães era capaz de subjetivamente determinar a ausência de febre em seus filhos, bem como de detectar febre, especialmente quando esta se aproximava de 38 ºC. Quase vinte anos depois, pesquisadores no Chile, chegaram à mesma conclusão: a palpação materna do filho é método útil e confiável de detecção de febre, que não deve ser subestimado. Confirma-se a noção pediátrica clássica de que a observação da mãe deve ser sempre levada em conta.


Orientação para familiares e cuidadores de crianças sobre verificação de temperatura e febre

  • A criança (especialmente o pré-escolar) pode apresentar infecções virais frequentes, e isso é benéfico a longo prazo por muitos especialistas, pois estimula seu mecanismo imunológico (defesa). Pode também ser o caso de uma infecção bacteriana não grave (rinossinusite, amigdalite), que é tratada com antibiótico adequado e que necessita de 48 horas para que a febre cesse.

 

  • Utilizar roupas leves, manter o ambiente ventilado e nas horas mais agradáveis do dia, a criança pode ficar ao ar livre, sem exposição direta ao sol.

 

  • Oferecer líquidos com frequência (água, chás, sucos, água de coco).

 

  • A redução do apetite é inevitável, e que a criança deve ser alimentada com aquilo que ela aceita e tolera melhor e reforçado de acordo com as possibilidades.

 

  • A febre moderada estimula os mecanismos de defesa contra a infecção, e assim não há necessidade nem vantagem de normalizar inteiramente a temperatura. Por isso, o objetivo do antitérmico é apenas aliviar o desconforto causado pela febre, e deve ser usado apenas nos momentos em que ela está ocasionando indisposição acentuada, sem horário prefixado, mas respeitando o intervalo mínimo de cada medicamento.

 

  • Não é necessário tomadas frequentes da temperatura, reservando-a para momentos de grande abatimento, tremores de frio ou se a criança parecer excessivamente “quentinha”. Nesses casos, manter o termômetro firmemente colocado sob a axila, por 4 minutos.

 

  • Administrar a medicação de acordo com a orientação do pediatra, na hora correta, dose e via correta.

 


Saiba mais sobre as recomendações e cuidados para administração de medicamentos na escola aqui


 

  • Não utilizar água fria e nem com álcool. Banho e compressas mornas são aceitáveis, quando isso for do agrado da criança e não trouxer transtornos para familiares e cuidadores.

 

  • No ambiente escolar, lembre-se de fazer a higienização com álcool 70%, 95% ou água e sabão do termômetro antes e após utilizá-lo, independentemente do local que a temperatura for aferida.

 

  • E seja qual for o termômetro escolhido, realizar sempre 3 medições para certificar se há ou não febre.

 

  • Saber identificar os sinais de alerta: febre acima de 39,4 ºC com tremores de frio, abatimento acentuado ou forte indisposição (sonolência e irritabilidade, choro inconsolável ou choramingas, gemência) que não melhoram após o efeito da dose de antitérmico.

Você poderá gostar do modelo de protocolo para atendimento a uma convulsão no ambiente escolar acesse aqui


Conclusões sobre verificação da temperatura e tipo de termômetro que poderá ser utilizado na Escola:

A verificação da temperatura mais utilizada em nosso pais é a axilar, embora estudos apontem a sua inconsistência, recomendado a utilização da verificação retal e oral de acordo com a faixa etária da criança. Por isso é importante que a unidade escolar reúna os gestores e educadores a fim de estabelecer qual será a técnica adotada, para que todos realizem de maneira assertiva, segura e adequada a verificação da temperatura nas crianças.

O uso do termômetro de mercúrio não é recomendado há muitos anos como explanado nesta matéria, por esse motivo recomendamos que a escola selecione outro tipo de dispositivo de acordo com o protocolo para verificação de temperatura adotado.

O termômetro digital, quando for a escolha da unidade escolar, deverá ser higienizado com álcool 70% antes e após a utilização, além de seguir as recomendações do fabricante.

Todos os termômetros deverão ter registro no INMETRO, sempre consulte as embalagens a fim de conferir esta informação.


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Também é necessário que os termômetros tenham registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e essa informação poder ser obtida no site da SMRP/Anvisa, clique aqui (role a página até o final para conferir todos os fabricantes).

Além de determinar junto a equipe a melhor técnica de verificação da temperatura e o termômetro que será utilizado, recomendamos que a unidade escolar descreva em formato de protocolo essas informações e compartilhe com os familiares das crianças, a fim de esclarecer os procedimentos adotados os encaminhamentos que serão necessários de acordo com a temperatura da criança. Essa medida demonstra preocupação da escola em relação ao cuidado e saúde da criança, favorece o diálogo com os pais quanto a essa situação comum (febre) no ambiente escolar, além de estimular o debate sobre o assunto para que ajustes e melhorias no protocolo sempre aconteçam.

 

Sobre as autoras:

AUTORA LETICIA A MAIRA

Publicado em: 24/10/2016

Revisado em: 24/10/2016

 

 

Referências:

  • SOCIEDADE PEDIÁTRICA canadense. Como tomar a temperatura de uma criança. Paediatr Child Health . 2000 Jul-agosto; 5 (5): 277-278.
  •  Academia Americana de Pediatria. Termômetro Infravermelho pele boa alternativa para recém-nascidos. AAP NEWS , de abril de 2008.
  • Academia Americana de Pediatria. Termômetro usar 101. AAP NEWS , de outubro de 2009.
  • SOCIEDADE PEDIÁTRICA canadense. Medição de temperatura em pediatria. D Leduc, S Woods. Declaração de posição , Jan de 2000.
  • Academia Americana de Pediatria. Como tomar a temperatura de uma criança . Saudável Crianças Org . Julho de 2015.
  • PINTO, L. A. M. Febre no lactente. Rev Ped SOPERJ, v. 13, no 2, p61-67 dez 2012.
  • COUTINHO, J. A. Febre – que termômetro utilizar para avaliar a temperatura. Texto de apoio para consulta, 2013.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Consultas com Pediatra. Conversando com Pediatra SBP, 2015.
  • EBC AGÊNCIA BRASIL. Anvisa propõe proibir termômetro com mercúrio no país. Por Caroline Pimentel EBC, Jul, 2016.
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Termômetros com mercúrio podem ser proibidos. ANVISA, Jul, 2016.
  • COOPER. R. Como medir a temperatura?. Blog sobre saúde da criança e adolescente, 2013.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Termômetros: qual o mais indicado para se usar em casa?. Portal da Saúde. 2015.
  • MURAHOVSCHI, J. A criança com febre no consultório. Jornal de Pediatria – Vol.79, Supl.1, 2003.
  • WONG. Fundamento de Enfermagem Pediátrica, Marilyn J. Hockenberry; David Wilson, 9. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de Pediatria, Vol. 1 3ª. ed, São Paulo: Manole, 2014.

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