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Catapora (varicela) na escola, o que o professor precisa saber?

O que é catapora (varicela)?

A varicela também conhecida como catapora, é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus varicela-zoster, da família Herpetoviradae que acomete principalmente crianças, sendo benigna nesta faixa etária. Em recém-nascidos, adolescentes e adultos, o quadro clínico é mais grave.  Entretanto, o maior risco da varicela é quando ela acomete pacientes imunocomprometidos, isto é, quando há uma deficiência do sistema imunológico da pessoa.

O vírus varicela-zoster também é responsável pelo herpes-zoster (não confundir com o herpes simples que é outro vírus que causa lesões na boca e nos genitais), conhecido popularmente como cobreiro, manifestando-se na idade adulta. Isso ocorre porque após o indivíduo ter adquirido a catapora na infância, o vírus fica incubado em alguns nervos podendo se manifestar nesta fase da vida. Ao longo do texto iremos falar mais sobre o assunto.

A vacina contra varicela é produzida com vírus vivo atenuado (desde 1995) contribuindo com a diminuição de pessoas contaminadas ao longo de todos estes anos. Portanto, pacientes que usam medicações imunossupressoras ou altas doses de corticosteroides (que alteram o sistema imune) não devem ser vacinados, pois com os mecanismos de defesa diminuídos estarão mais expostos a sérias complicações.


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Sua transmissão pode ocorrer em qualquer período do ano, porém observa-se um aumento no número de casos durante o período do inverno até a primavera (agosto a novembro), o que favorece a ocorrência de surtos em creches e escolas

Sinais e sintomas da catapora:

Os primeiros sinais e sintomas da varicela antes do aparecimento das lesões/erupções características da doença são:

  • Febre baixa
  • Cefaleia (dor de cabeça)
  • Vômito
  • Mal-estar
  • Dor de garganta
  • Perda de apetite

Surgimento de erupções cutâneas avermelhadas (rush cutâneo) espalhadas por todo o corpo e prurido (coceira) sendo muito comum a criança querer ficar se coçando o tempo todo.

Dentro de 24 horas essas erupções evoluirão para bolhas (com conteúdo transparente e bordas avermelhadas) que surgem inicialmente na face, no tronco, na parte superior das axilas, nas mucosas da boca e das vias aéreas superiores (nariz, faringe e laringe), no couro cabeludo e se proliferam. Em geral, o surgimento de pequenas bolhas no couro cabeludo confirma o diagnóstico da varicela.

Podem ocorrer de 200 a 500 lesões que causam intenso prurido (coceira), as primeiras lesões aparecem comumente na cabeça ou pescoço, e a medida que evoluem vão surgindo também no tronco e membros, além das mucosas (oral, genital, respiratória e conjuntival).

Os ciclos das lesões ocorre basicamente:

Pápulas – vesículas – pústulas e crostas

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Tipos de lesões na pele manifestadas na catapora

Fonte: QA internacional

É importante evitar que o paciente estoure as bolhas evitando assim a contaminação das lesões por bactérias naturais da pele como o estafilococos e o estreptococos.

Alguns dias depois (3-4 dias), essas bolhas viram crostas que caem no final de 1 ou 2 semanas.

A principal característica clínica é o polimorfismo regional das lesões cutâneas, isto é, estas se apresentarão nos diversos estágios (erupção, bolha e crosta) em uma mesma região do corpo e geralmente acompanhadas de muito prurido (coceira).


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A evolução para a cura, comumente ocorre em até uma semana, mas algumas lesões poderão resistir até 2 ou 3 semanas.

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Estágios das lesões causadas na pele pela catapora

Fonte: Minhavida

Catapora e o uso da aspirina, um risco:

A Síndrome de Reye ocorre especialmente em crianças e adolescentes que fazem uso do ácido acetilsalisílico (AAS) durante a fase aguda da varicela. Caracteriza-se por vômitos, seguido de irritabilidade, inquietude e diminuição progressiva do nível da consciência, com edema cerebral progressivo. Esta síndrome é o resultado de um comprometimento hepático agudo, seguido de comprometimento cerebral.

Portanto, o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) por pacientes com varicela está expressamente proibido.

Nos adultos imunocomprometidos (indivíduos com imunidade diminuída), a varicela cursa de modo mais grave do que nas crianças, apesar de ser bem menos frequente (cerca de 3% dos casos). A febre é mais elevada e prolongada, o estado geral é mais comprometido, as erupções cutâneas mais pronunciadas e as complicações mais comuns, podendo levar a óbito, principalmente devido a pneumonia primária.

Catapora e a gestação:

No caso de gestantes, a infecção no primeiro ou no segundo trimestre da gestação pode resultar em embriopatia. Nas primeiras 16 semanas de gestação, há um risco maior de lesões graves ao feto que podem resultar em baixo peso ao nascer, malformações das extremidades, cicatrizes cutâneas, microftalmia, catarata e retardo mental.

As gestantes que não foram vacinadas e que tiverem contato com pessoas infectadas com a varicela e com o herpes-zoster, devem receber a imunoglobulina humana contra esse vírus.

Diagnóstico da catapora:

O diagnóstico de catapora geralmente é feito através do quadro clínico do paciente (exame físico). Uma simples análise do histórico médico e a observação dos sinais e sintomas, principalmente se há erupções na pele, já basta para o médico realizar corretamente o diagnóstico.

Se houver dúvidas, devido a algum diagnóstico diferencial, poderão ser realizados exames de sangue e testes envolvendo a coleta de pele ou secreção das próprias bolhas (o vírus pode ser isolado das lesões vesiculares durante os primeiros 3 a 4 dias de erupção)

Diagnóstico diferencial: varíola, impetigo, infecções cutâneas, entre outras.

Transmissão da catapora:

A varicela (catapora) é transmitida de pessoa para pessoa, através de:

  • Secreções respiratórias (saliva, espirro, tosse ou fala),
  • Contato direto com lesões de pele, quando as mãos têm contato com o líquido das bolhas contaminadas de alguma pessoa doente e infectam a via aérea ou mucosa oral,
  • Contato indireto través de roupas ou superfícies que foram utilizadas pela pessoa doente.

Em qual período a catapora pode ser transmitida?

  • A catapora leva de 10 a 21 dias para se manifestar-se, período em que apresenta risco de transmissão.
  • Mesmo aqueles que estão infectados e NÃO apresentam os sintomas da doença, podem transmiti-la a partir de 1 ou 2 dias antes que a doença se manifeste no corpo.
  • A fase livre do contágio é a que todas as lesões já tenham virado crostas, o que leva mais ou menos de 1 a 2 semanas.

Enquanto houver bolhas, ainda há o risco de transmissão da catapora

Confira um vídeo que aborda o tema catapora de forma lúdica e com personagens, o que poderá favorecer a discussão sobre o tema com crianças:

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Complicações mais comuns associadas à catapora:

A maioria das crianças saudáveis apresenta a doença sem complicações ou gravidade, mas alguns casos poderão ter complicações como:

  • Infecções secundárias da pele (a doença cria na pele uma porta de entrada para bactérias, que poderão causar infecções na pele e também nas partes moles, podendo até atingir a corrente sanguínea, provocando infecções sistêmicas e invasivas)
  • Pneumonite viral (comprometimento pulmonar) que poderá ocorrer com maior potencial em crianças acima de 12 anos e adultos.
  • Pacientes com o sistema imunológico diminuído podem apresentar doença disseminada, ter acometimento do sistema nervoso central, encefalite, entre outras complicações.

Tratamento da catapora:

Ao suspeitar da presença de catapora em uma criança ou adulto, procurar por uma avaliação médica o quanto antes. Essa avaliação inicial realizada pelo médico irá possibilitar possibilitar a confirmação (ou não) da suspeita clínica da varicela (catapora), e permitir avaliar a necessidade de intervenção terapêutica específica, além de esclarecer sobre medidas importantes para evitar complicações e orientar o correto reconhecimento dos sinais de gravidade que exijam reavaliação do médico.

Medidas para aliviar os sinais e sintomas da catapora e evitar complicações:

  • Realizar a higiene adequada da pele, com água e sabão, durante o banho habitual
  • Quando o prurido (coceira) for mais intenso o banho ou aplicação de compressas frias poderá aliviar os sintomas, em alguns casos poderá ser necessário utilizar medicamentos ajustando-se ao peso da criança e com orientação médica
  • Cortar bem as unhas da criança para que ela não coce as vesículas e corra o risco de infeccioná-las. A maioria das pintinhas não deixa cicatrizes, a não ser que sejam infectadas por bactérias ao serem coçadas.
  • O tratamento específico com a medicação só é indicado em adultos ou pacientes acima dos 12 anos, pois a taxa de complicação da doença costuma ser maior
  • O paciente com algum grau de imunossupressão ou outra comorbidade que faz com que ele manifeste uma varicela mais grave, também é indicado o tratamento com medicação. (A droga não elimina o vírus, mas diminui o tempo de doença, o número de lesões na pele e os riscos de complicações).
  • Antitérmicos podem ser necessários mas deve-se lembrar de EVITAR o ácido acetilsalicílico e Ibuprofeno
  • Em algumas situações, pode-se administrar medicações anti-histamínicas visando conter o prurido (coceira) que acompanha as lesões de pele
  • Evitar levar o filho à escola ou à creche, uma vez que a doença é altamente contagiosa e outras crianças poderão ser infectadas.
  • Em alguns casos, a catapora não exige tratamento, pois pode desaparecer por conta própria. Nesses casos, o médico poderá apenas descrever medicamentos para aliviar a coceira.

Prevenção da catapora:

Desde 2013, o calendário básico de imunizações do Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com a vacina tetravalente viral que inclui a imunização contra a varicela (catapora), sarampo, caxumba e rubéola.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), na rede pública ela está disponível somente para crianças de 15 meses (até 1 ano, 11 meses e 29 dias), em crianças que já tenham recebido a 1ª dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e que deve reduzir cerca de 80% das hospitalizações por varicela.

A vacinação é indicada para crianças maiores de 1 ano, pois abaixo desta faixa etária a vacinação possui pouca eficácia, pois sofre interferência dos anticorpos maternos transferidos pela placenta e pela falta de informação quanto a segurança do seu uso nesta faixa etária.

Além da dose que deve ser dada ainda no primeiro ano de vida, a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o reforço da vacina entre os quatro e seis anos de idade.

Ele é importante para prevenir completamente a doença, pois a dose única gera, em alguns casos, uma imunidade que não impede que a pessoa manifeste a doença, ainda que numa forma mais branda.

A vacina para varicela (catapora) tem suas indicações precisas, levando em conta a situação epidemiológica da doença, por isso não está disponível de forma universal no SUS.

As indicações são:

  1. População indígena a partir de quatro anos de idade;
  2. Surto hospitalar da doença: vacinar, até cinco dias após o surto, crianças maiores de 9 meses de idade que tenham imunidade baixa e que estejam dentro do hospital e demais pessoas que estejam suscetíveis.
  3. Profissionais de saúde, cuidadores e familiares suscetíveis à doença que estejam em convívio domiciliar ou hospitalar com pacientes com maior risco de contrair a doença com consequências graves, como crianças com câncer, pessoas em geral submetidas a cirurgias, doadores de órgãos e células-tronco, entre outros.
  4. Pacientes com doenças renais crônicas
  5. Crianças, adolescentes e adultos infectados pelo HIV
  6. Doenças dermatológicas graves
  7. Pessoas que fazem uso crônico de ácido acetilsalicílico (aspirina). Recomenda-se suspender o uso por seis semanas após a vacinação.

IMUNOPROFILAXIA EM SURTOS
Nos casos graves isolados de varicela, e surtos em hospitais, creches, pré-escolas, escolas, comunidade em geral, devem ser notificados e registrados no SINAN (Sistema de Informação Nacional dos Agravos de Notificação).
A vacina varicela, para utilização em surtos, está disponível apenas para bloqueio em ambiente hospitalar e controle em creches (pública ou privada).

SURTOS EM CRECHES E ESCOLAS

Considerando que a varicela em crianças que frequentam creches pode ser mais grave, a vacina contra varicela está indicada, a partir da ocorrência do primeiro caso, no período máximo de até 4 semanas do último caso. Serão vacinadas as crianças na faixa etária de 9 meses a 5 anos, 11 meses e 29 dias, suscetíveis para varicela.

ORIENTAÇÕES PARA SURTOS EM CRECHES E ESCOLAS

  1. Identificar o número de crianças, entre 9 meses e 5 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias), que não tiveram varicela e, que frequentaram a instituição nas últimas 4 semanas, a partir da identificação dos casos, independentemente do número de horas que a criança permaneça na instituição.
  2. Identificar o número de funcionários desta instituição que não tiveram varicela e tiveram contato com os casos.
  3. Identificar o número de pessoas imunocomprometidas e as gestantes suscetíveis que tiveram contato com os casos.
  4. Monitorar o aparecimento de casos novos.
  5. Recomenda-se não aceitar matrículas de crianças suscetíveis até que tenham decorrido 21 dias do último caso. Na impossibilidade, vacinar a criança antes da admissão.
  6. Após 21 dias sem novos casos, considera-se o surto controlado.

A criança que tomou a vacina pode pegar catapora?

A eficácia das vacinas apresenta uma variação de 70-90%, ou seja, poucas pessoas vacinadas podem contrair a doença. Mas a vacinação é extremamente importante, pois protege tanto crianças quanto adultos das formas mais graves da doença.

A imunidade passiva transferida para o feto pela mãe que já teve varicela garante, na maioria das vezes, proteção de 4 a 6 meses de vida extrauterina.

Os filhos de mães que tiveram catapora ou crianças que receberam a vacina estão menos predispostas a se contaminar com a doença antes do primeiro ano de vida. Se ocorrer a doença no primeiro ano de vida, esta costuma ser moderada. Isso se deve aos anticorpos presentes no sangue da mãe que protegem os bebês. As crianças menores de um ano cujas mães não tiveram catapora nem foram vacinadas podem ter uma versão mais grave da doença.


Saiba mais sobre as recomendações e cuidados para administração de medicamentos na escola aqui


Contraindicações da vacina para catapora:

Em casos específicos, como em pacientes com HIV ou outros déficits de imunidade e em mulheres grávidas, a vacina poderá ser contraindicada.

Quando a mulher não contraiu a doença na infância ou não tem certeza de sua situação imunológica, é recomendável a vacinação antes de engravidar.

Lembramos que, além de a infecção em adultos ser mais severa, existe a possibilidade de transmissão materno-fetal do vírus, que pode levar a defeitos congênitos no bebê, especialmente no primeiro trimestre de gestação, como também pode haver a contaminação em neonatos ocasionando casos graves de varicela.

Então, se a mulher adoece no final da gravidez, isso pode ser um problema grave para a criança que vai nascer.

Confira na integra a entrevista com o infectologista Dr. Glaydson Ponte e saiba mais sobra a doença!

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Catapora (varicela) na escola, o que é importante fazer?

As instituições de educação infantil são ambientes que abrigam crianças e bebês e que tem risco iminente para a transmissão de doenças infecciosas, pois as crianças e bebês ficam aglomerados recebendo atendimento de forma coletiva.

A seguir, algumas orientações de como prevenir a varicela na escola:

  • Manter a criança em sala separada quando houver suspeita da doença e contatar seu responsável para buscá-la.
  • Orientar a família para procurar o médico para o tratamento específico.
  • Sempre orientar os pais quanto à importância da atualização da carteira de vacinação e atentarem-se as campanhas de vacinação.
  • Além da orientação aos pais, os educadores podem fazer um acompanhamento/verificação da carteira de vacinação da criança com o objetivo de identificar as vacinas faltantes.
  • Manter o ambiente escolar sempre bem arejado e limpo, confira outras medidas para tornar a escola um ambiente mais seguro aqui.
  • Orientar os pais para que comuniquem a escola no caso de confirmação do diagnóstico.
  • Manter rigorosa higiene durante as trocas de fraldas, que incluir colocação e retirada adequadamente de luvas (confira um vídeo sobre essa técnica aqui), e substituição destas a cada troca de fraldas (quando utilizada), lavagem das mãos com técnica adequada a cada troca de fralda e retirada de luvas.
  • As fraldas devem ser descartadas em recipiente adequado com tampa.
  • Orientar as crianças a lavarem as mãos sempre antes das refeições e após a utilização do banheiro, confira um vídeo com música para ensinar as crianças a lavarem as mãos de maneira adequada.
  • Crianças do berçário devem ter suas mãos lavadas por um adulto, o que poderá ocorrer no momento da troca de fraldas (assim elas poderão associar desde muito cedo que é preciso lavar as mãos após fazer xixi o cocô). Outro momento é antes de oferecer os alimentos.

Você poderá gostar do modelo de protocolo para troca de fraldas, acesse gratuitamente aqui


  • Incentivar a lavagem das mãos pelas crianças (as mãos são a maior fonte de contaminação, uma criança com a varicela poderá “cutucar” as bolhas e espalhar para outras regiões do corpo ou outras crianças)

Conheça a música para ensinar a higienização das mãos para crianças:

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  • Realizar a limpeza dos objetos manipulados pela criança doente com água e sabão e posteriormente com álcool 70%, a fim de evitar a contaminação de outras crianças.
  • Permitir o retorno da criança após avaliação do serviço de saúde.
  • Manter as unhas cortadas dos colaboradores e das crianças.
  • Troca de roupa pessoal diariamente (colaboradores e alunos).
  • Manter uso individual de utensílios de higiene (como toalhas e roupas).
  • Orientar os colaboradores da escola sobre os sinais e sintomas da varicela, para que possam identificar precocemente um caso e alertar os familiares da criança (compartilhe essa matéria com sua equipe, acesse aqui um arquivo em PDF).
  • Intensificar a limpeza de móveis, brinquedos, camas, colchões, maçanetas com produtos adequados, detergentes e água, ou ainda álcool 70%.
  • Comunicar a Unidade Básica de Saúde e Vigilância Epidemiológica os casos suspeitos e confirmados ocorridos na escola para que avaliem a necessidade de medidas de controle.
  • Durante o período de manifestação desta doença no ambiente escolar, lençóis e toalhas devem ser lavados todos os dias.
  • Guardar as roupas dos alunos, toalhas e produtos de higiene identificados e separados.
  • Evitar o uso de fantasias diretamente sobre a pele, especialmente em crianças com lesões e mantê-las limpas.

O que é Herpes zoster?

O herpes zoster (HZ), conhecido popularmente como “cobreiro” é a reativação do vírus varicela-zoster na fase adulta, isto é, é o mesmo vírus da varicela (catapora) que estava latente (ele fica escondido dentro das células do sistema nervoso) no indivíduo que já foi infectado quando criança. Essa reativação ocorre nas situações em que o indivíduo faça uso de medicamentos contínuos que reduzam a imunidade, tratamento para câncer, doenças imunossupressoras (HIV/AIDS, câncer), idade avançada, isto é, qualquer situação que diminua a imunidade do indivíduo.

O HZ é caracterizado por uma erupção cutânea dolorosa que apresenta-se com bolhas que podem resultar em pequenas feridas. As bolhas podem durar várias semanas e frequentemente aparecem em somente uma parte do corpo. A nevralgia (dor no nervo) do herpes-zoster pode durar meses ou mesmo anos após a cicatrização das erupções cutâneas.

Excepcionalmente, há pacientes que desenvolvem herpes zoster após contato com doentes de varicela e, até mesmo, com outro doente de zoster, o que indica a possibilidade de uma reinfecção em paciente já previamente imunizado. É também possível uma criança adquirir varicela por contato com doente de zoster.

Todo indivíduo que já tenha tido varicela em algum momento da vida, se apresentar alguma queda nas defesas do organismo, poderá apresentar a reativação do vírus da varicela zoster, desenvolvendo o herpes zoster.

Geralmente o quadro clínico do HZ apresenta os seguintes sinais e sintomas:

  • Dores nevrálgicas antecedendo as lesões na pele,
  • Parestesias (sensação de formigamento, dormência na pele),
  • Ardor e prurido locais,
  • Febre, cefaleia e mal-estar.

Já há no mercado uma vacina própria para o herpes zoster que é administrada em adultos maiores de 50 anos. Mesmo se o indivíduo já tiver sido acometido pela doença poderá tomar a vacina. Esta tem o objetivo de ativar o sistema imunológico para que este proteja o indivíduo do desenvolvimento do HZ. Entretanto ainda não está disponível na rede pública.

Depois da catapora, o vírus costuma permanecer dormente no organismo pelo resto da vida. Cerca de um a cada 10 adultos apresenta herpes-zoster quando o vírus é reativado em momentos de estresse.

Sobre as autoras:

AUTORA LETICIA A MAIRA

Publicado em: 12/10/2016

Revisado em: 12/10/2016

Referências:

  • AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Bula vacina Herpes Zoster. ANVISA, Acesso em: 02/10/2016.
  • AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Chikenpox. Signs and symptons. 2015. Healthy Children Org. Acesso em 10/10/2016.
  • CENTRO DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE PARA VIAJANTES. Varicela. (Castineiras, T.M.P.P.; Pedro, L.G.F.; Martins, F.S.V.) CIVES, 2014.
  • FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ-FIOCRUZ. Catapora, o pediatra explica os sintomas, tratamento e como se prevenir. FIOCRUZ, Acesso em: 02/10/2016.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Varicela/Herpes Zoster. MS. Acesso em: 02/10/2016.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Doenças infecciosas e Parasitárias. Guia de bolso, Brasília, 2010.
  • PORTELLA et al. Herpes-zóster e neuralgia pós-herpética. Revista Dor. vol. 14, n. 03, 2013. São Paulo. Acesso em: 04/10/2016.
  • SECRETARIA DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO. Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI) 2016. Acesso em: 02/10/2016.
  • SECRETARIA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE. Orientação da Vigilância Sanitária para instituições de educação infantil, 2013.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Varicela. SBP Acesso em: 02/10/2016.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Catapora o que é? [internet], SBD, acesso em 10/10/2016.