Neste post, você verá:

 

  • Por que ocorre o sangramento nasal?
  • O que é o sangramento nasal?
  • O que fazer em caso de sangramento nasal?
  • O que não deve ser feito em caso de sangramento nasal
  • O que é importante saber sobre rinite
  • Rinite Alérgica na Crianças
  • Fatores Aeroalergênicos
  • Fatores Ambientais
  • Tratamento da Rinite Alérgica
  • Medidas ambientais para controle da Rinite Alérgica por fatores ambientais, tanto em casa como na escola

 

Por que ocorre o sangramento nasal?

 

Com a chegada do outono e do inverno, o tempo seco, passa a ser uma preocupação para muitas pessoas, devido a relação da baixa umidade do ar (tempo seco) com algumas doenças respiratórias. Nessa época do ano, é comum o registro de índice de umidade relativa do ar abaixo do ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal da umidade relativa do ar para o organismo humano gira entre 40% a 70%.

Quando o tempo está muito seco e com baixa umidade no ar, em dias muito quentes, ocorre a dificuldade na dispersão de gases poluentes, provocando o ressecamento das mucosas das vias aéreas superiores, o que pode tornar as pessoas mais vulneráveis a desenvolverem problemas respiratórios como: rinite alérgicas, crises de asma, infecções virais e bacterianas.

Estima-se que o pior horário seja entre as 15 horas e 16 horas, onde aqui em São Paulo, em dias muito secos, a umidade relativa do ar pode cair para os 30 % ou menos.

Quando isso ocorre, muitas pessoas, apresentam vários sintomas como: garganta seca e irritada, sensação de areia nos olhos que ficam vermelhos e congestionados, ressecamento da pele, cansaço, dor de cabeça, complicações alérgicas, sangramento nasal, tosse e espirros persistentes.

Em dias de baixa umidade do ar, onde o clima fica muito seco, o sangramento nasal pode acontecer nas crianças e nos adultos, e é comum nas crianças abaixo dos dez anos e em adultos maiores que trinta e cinco anos.

Além da baixa umidade do ar, outros fatores que contribuem para o sangramento nasal são:

 

  • Toque frequente no nariz (coçar, cutucar, tirar casquinhas).
  • Alergias respiratórias (propiciam coceira no nariz e inflamação da mucosa).
  • Uma lesão ou golpe no nariz ou no rosto, por exemplo, de uma bola ou queda.
  • Sinusite, resfriados comuns, gripe e outras infecções que afetam as vias nasais.
  • Pólipos nasais.
  • Uso incorreto de sprays nasais (descongestionantes), medicamentos utilizados para desobstruir as vias respiratórias superiores.
  • Assoar muito forte o nariz.
  • Corpo estranho dentro do nariz (massinha, feijão, pequenos brinquedos, etc…).
  • Alterações anatômicas como por exemplo o desvio de septo, que causa a dificuldade da passagem do ar e expões aos agentes patogênicos.

 

O sangramento nasal acontece devido ao ressecamento da mucosa nasal, em quase todos os casos, este sangramento ocorre na parte da frente do septo nasal (região que separa as narinas direita e esquerda).

A maioria das crianças coloca o dedo dentro do nariz. Caso a unha da criança esteja grande ou suja (e isso tem uma grande chance de ocorrer), pode haver pequena escoriação na região anterior da mucosa septal, sendo esta uma das causas mais comuns de epistaxe. Após a escoriação, uma crosta será formada. A crosta causará incômodo na criança, que, novamente, colocará o dedo dentro do nariz para retirá-la, gerando um novo sangramento e levando mais bactérias para a fossa nasal.

 

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O que é o sangramento nasal?

 

Também definido como epistaxe, caracteriza-se por um sangramento da mucosa do nasal, e ocorre por uma alteração na hemostasia (mecanismo de defesa contra a perda de sangue) normal do nariz.

É estimado que aproximadamente 60% das pessoas terão uma hemorragia nasal em algum momento da vida. Porém ocorre mais frequentemente em idosos e crianças com idades entre 2 e 10 anos.

Embora o sangramento às vezes possa ser alarmante, apenas cerca de 10% são sérios para exigir tratamento médico.

A ajuda médica deve ser procurada quando os sangramentos:

  • Ocorrem com frequência.
  • Ocorrem após algum trauma grave na região da cabeça.
  • Ocorrem ao lado de congestão crônica ou outros sinais de sangramento ou hematomas.
  • Começam depois que a criança inicia a ingestão de um novo medicamento.
  • Se após realizados todos os procedimentos o sangramento não cessar.

 

São classificadas como epistaxes anteriores e posteriores:

Anterior: representam 90% dos casos, e são de intensidade mais branda e ocorre na região anterior do septo nasal (região rica em vasos e vulnerável ao ressecamento).

Posterior: os sangramentos posteriores são menos frequentes, mais graves e necessitam em alguns casos, de intervenções médicas. São mais comuns na faixa etária acima dos 50 anos.

 

O que fazer em caso de sangramento nasal?

 

Na maioria dos casos os sangramentos nasais, não trazem maiores problemas e se realizada a compressão de maneira correta.

Casos mais graves, onde o sangramento não cessa, poderá ser necessária a intervenção médica com procedimentos como cauterização, tamponamento nasal, entre outros.

Para sangramentos menores, que ocorrem comumente por conta do ressecamento da mucosa nasal, os procedimentos são:

  • Sentar o adulto ou criança confortavelmente;
  • Realizar a compressão da “asa do nariz” em forma de pinça também chamada de digito-pressão (por no mínimo 10 minutos);
  • Orientar que o aluno respire pela boca e cuspa, caso o sangue goteje da região nasal para a boca, evitando engolir o sangramento;
  • Se o sangue for deglutido, é comum que haja irritação gástrica, causando náuseas e vômitos, e isso pode gerar maior preocupação e ansiedade na criança. Por isso orientar a criança a manter a cabeça levemente inclinada para frente e procurar acalmá-la;
  • Manter a compressão por 10 minutos é recomendado, se necessário utilizar recursos para distrair a criança como ler uma história;
  • Controlar o tempo desde o início do sangramento;
  • Após 10 minutos, soltar o nariz e verificar se o sangramento parou. Se o sangramento nasal continuar, apertar as narinas por mais 10 minutos;
  • Adicionalmente pode ser colocada compressa fria ou com gelo no dorso nasal (borda do nariz). Obs.: colocar o gelo dentro de um saco plástico e protegido com tecido para evitar lesões na pele.
  • Após 30 minutos que ocorreu o controle do sangramento, pode ser realizada a umidificação do nariz com soro fisiológico 0,9%.

 

O que não deve ser feito em caso de sangramento nasal:

 

  • Não inclinar a cabeça para trás, especialmente em crianças, esse posicionamento poderá levar a deglutição de sangue, vômito e até engasgo;
  • Evitar banhos quentes e alimentos quentes após o sangramento nasal;
  • Evitar banho de sol após o sangramento nasal;
  • Não realizar tampão, pois isso poderá causar ferimentos na mucosa nasal;

 

Sinais de complicação do sangramento nasal:

 

Acionar os familiares do aluno e procurar pelo serviço de saúde quando:

  • Sangramento nasal persistir mais de 20 minutos aplicando pressão no nariz da criança;
  • Quando ocorrer após um ferimento na cabeça, queda ou golpe no rosto;
  • Se a criança apresentar dor de cabeça intensa, febre ou outros sintomas preocupantes;
  • Se o nariz da criança estiver deformado ou quebrado;
  • Se a criança mostrar sinais de ter perdido muito sangue, como ficar pálida, ter pouca energia, sentir tontura ou desmaiar;
  • Se a criança começa a tossir ou vomitar sangue,;
  • Se a criança tiver um distúrbio de sangramento ou está tomando anticoagulantes.

 

Casos mais graves, onde o sangramento não cessa, pode ser necessária a intervenção médica com procedimentos como cauterização, tamponamento nasal e tratamento cirúrgico.

Cauterização: termo médico utilizado para descrever o ato de queimar parte do corpo humano para remover ou fechar alguma região, nesse caso ocluir/fechar a lesão nos vasos sanguíneos do nariz. Pode química, elétrica ou com laser.

Tamponamento nasal: ato de ocluir o orifício nasal lesionado. Pode ser embebido com algum medicamento.

Tratamento cirúrgico: ocorrerá somente se não obtiver sucesso com a cauterização e/ou tamponamento.

 

Orientações para a prevenção do sangramento nasal:

 

  • Tratar alergias para prevenir inflamação no nariz;
  • Uso de sprays nasais salinos (água salgada) para manter o nariz da criança úmido;
  • Usar umidificador ou vaporizador no quarto da criança;
  • Manter as unhas das crianças aparadas para evitar ferimentos.

 

O que não deve ser feito em caso de sangramento nasal:

 

  • Não inclinar a cabeça para trás, especialmente em crianças, esse posicionamento poderá levar a deglutição de sangue, vômito e até engasgo;
  • Evitar banhos quentes e alimentos quentes após o sangramento nasal;
  • Evitar banho de sol após o sangramento nasal;
  • Não realizar tampão, pois isso poderá causar ferimentos na mucosa nasal. 

 

O que é importante saber sobre rinite:

 

Conforme o Consenso Brasileiro de 2012 sobre Rinites: Rinite é a inflamação da mucosa de revestimento nasal, caracterizada pela presença de um ou mais dos seguintes sintomas: obstrução nasal, rinorreia (corrimento excessivo do muco nasal), espirros, prurido e hiposmia (perda parcial do olfato)

As rinites são classificadas conforme seu agente desencadeador, sendo divididas em: rinites infecciosas (por bactérias, fungos e vírus), rinites alérgicas e não alérgicas, por exemplo: alguns medicamentos, drogas ilícitas, associada a refluxo gastroesofágico) e rinites idiopáticas.

 

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Rinite Alérgica nas Crianças:

 

Na rinite alérgica, ocorre a inflamação da mucosa nasal, após a criança entrar em contato com o agente causador de sua alergia, provocando sinais e sintomas típicos dessa doença como: espirros seguidos ou em crises, coriza aquosa, obstrução nasal e prurido ou coceira no nariz, olhos, garganta ou ouvidos.

Vale lembrar, que o fator genético e hereditário é forte na rinite alérgica, que pode iniciar em qualquer idade, embora seja mais comum na infância e adolescência, e atinge igualmente meninos e meninas.

Os “causadores” ou alérgenos, como são chamados na literatura médica, capazes de provocar uma crise de rinite alérgica são:

 

Fatores Aeroalergênicos para rinite:

 

Ácaros: o ácaro da poeira domiciliar tem mais de 20 componentes que podem causar alergias.

Fungos: se multiplicam principalmente quando existe vazamentos ou umidade excessiva no ambiente.

Baratas: soltam proteínas provenientes de sua renovação e decomposição, que podem estar presentes na poeira da casa e provocar alergias.

Animais domésticos: cães e gatos também podem provocar alergias, acredita-se que as caspas e os pelos são causadores das reações alérgicas.

Pólen: mais bem documentada na região sul do país, devido as estações climáticas serem  mais bem definidas, e existir o cultivo de plantas alergênicas (Ex : Lolium multiflorum).

 

Fatores Ambientais:

 

Mudança brusca de temperatura: podem irritar a mucosa nasal

Exposição a fumaça de cigarro: é um dos maiores agressores, e está muito presente dentro das casas das pessoas, agride diretamente a mucosa nasal e pode desencadear e agravar a rinite alérgica.

Poluição ambiental: cada vez mais presente nas cidades grandes, fator problema para a saúde pública, uma vez que apresenta evidências epidemiológicas de ser fator precipitante e agravante de rinite alérgica e de outras doenças respiratórias.

 

Tratamento da Rinite Alérgica:

 

O tratamento da rinite alérgica é feito sob supervisão direta do pediatra, e consiste em administração de medicamentos, que controlam a inflamação da mucosa nasal, o uso de sprays nasais, também são utilizados.

O tratamento com vacinas (imunoterapia), poderá ser uma opção dependendo da idade da criança.

Vale lembrar que, o mais importante, é controlar o ambiente, afastando os alérgenos que prejudicam a criança, tanto na escola, quanto em seu ambiente domiciliar.

 

Medidas ambientais para controle da Rinite Alérgica por fatores ambientais, tanto em casa como na escola:

 

  • Manter os ambientes arejados, limpos e livre de umidade (mofos);
  • Evitar o acúmulo de pó, em qualquer tipo de superfície, especialmente brinquedos;
  • Retirar carpetes;
  • Manter cortinas limpas;
  • Retirar o pó com pano úmido, evitar vassouras;
  • Colocar capas impermeáveis no colchão e travesseiro e limpá-las com pano úmido, e lavá-las a cada dois ou três meses;
  • Em casa: animais de pelos – mantê-los fora de casa e principalmente fora do quarto. Nunca na cama!

 

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Veridiana Ferreira Torres

Enfermeira Especialista em Cardiologia pela Unifesp e Pós-Graduada em Docência do Ensino Superior

 

 

Letícia Spina Tapia

Enfermeira e Fisioterapeuta, Mestre no Ensino em Ciências da Saúde e Coordenadora Nacional do Programa Escola Segura

 

 

Publicada em 10/06/2016

Revisada em: 20/10/2021

 

 

 

 

 

Referências: